Eu morri
Eu morri no dia 30 de abril de 2017. Naquele dia (um domingo), pela manhã, eu tinha um marido, planos de comprar uma casa, muitos problemas financeiros, uma família ainda se recuperando da perda do meu pai, em novembro de 2016. No final do dia, eu estava morta. Estava deitada em uma rodovia daqui de Brasília chamada L4. É uma rodovia muito conhecida por quem mora na Capital, tanto pelos seus clubes, pelo shopping, como pelos rachas que acontecem nos finais de semana. Pois era lá que eu estava. Não fisicamente. Fisicamente, eu estava na casa do meu cunhado, a alguns quilômetros da tal rodovia. Mas tudo o que eu era estava lá, de cabeça para baixo, preso ao cinto de segurança do nosso carro. O Ri estava lá. O Ri, no caso, era o meu marido. É o meu marido. Sempre vai ser o meu marido. Você que está lendo este texto nunca vai ter a chance de conhecer o Ri. A não ser pelos meus textos. E, sinceramente, os meus textos estarão um pouco distante da realidade. Porque eu vou escrever o ...